sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Who wants to live forever?


Ah, filho! Sabe quando, às vezes, nos sentimos vazios? Foi exatamente assim que me senti ontem, tanto que nem consegui escrever aqui para você. Eu estava assistindo a um filme com o seu avô e de repente me percebi assim, vazia. Highlander, A Origem. O último de Duncan Mcleod, adoro! Parece uma história boba até, mas me delicio tanto com a idéia da imortalidade que me interessei por essa personagem desde a primeira vez que a vi, quando criança. Lembro-me bem de quando, ainda com menos de 1,5 metro de altura, chorava às noites na minha cama, em silêncio, olhando para uma moldura com a foto do meu pai que ficava presa na parede do meu quarto. Eu temia demais a morte dele, pedia todos os dias a Papai do Céu para nunca matar o meu pai, para mantê-lo vivo para sempre. Na verdade eu orava olhando para a foto dele, mas suplicava também por minha mãe e minha cachorrinha poodle da época. E por mim, claro! Mas a Binnie morreu…
Depois cresci, já estava com 19 anos e chorava às noites por temer a morte do primeiro homem da minha vida, um grande e verdadeiro amor. Ele tinha 11 anos a mais e eu já pensava na nossa velhice juntinhos, mas lembrava muito bem da diferença de idade. Sofria a sua morte antes da minha por antecipação. O que eu faria pelo resto da minha avançada vida sem ele por perto? Nossa, como sofri! Terminamos o namoro não por falta de amor, mas por discordâncias, por seguirmos rumos completamente opostos, por possuirmos idéias totalmente divergentes. Às vezes o amor não é suficiente, Anachin… No nosso caso, por exemplo, não foi. Ele morreu menos de dois anos depois do rompimento e então vi que eu não estava sofrendo por tanta antecipação assim. Tive que aprender a conviver com a dor de não tê-lo mais por perto desde a minha juventude. Nessa época eu ainda temia por meus pais, por meu cachorro Mix (meu maior companheiro) e por ele. A vida levou o meu amor e o meu melhor amigo…
Seria maravilhoso se fôssemos todos imortais! Ontem, após assistir ao filme, me senti tão vazia! Precisei deitar, e pensar… Pensar! A imortalidade, tudo que eu sempre desejei antes de ter mesmo a noção de que era um sonho impossível. Se isso fosse alcançável eu poderia viver muitas vidas, poderia ser muitas pessoas e ter muitas idéias diferentes. Seriam experiências inacreditáveis! Tenho certeza de que a maioria das pessoas já pensou sobre esse assunto...
Eu poderia me arriscar com toda a imprudência, não teria medo de experimentar todas as drogas e curtir as maravilhosas sensações descritas por usuários, maravilhosas mas bem menos virtuosas do que a nossa simples vida de mortal. Seria grandioso poder ter muitas profissões, viajar todo o mundo, teria tempo suficiente para trocar de filosofia de vida! De tempos em tempos eu seria uma personagem diferente, com visual modificado e ar inusitado. Nossa, filho! Volto a ser a criança sonhadora de antes sempre que penso nisso!
Se fôssemos imortais não haveria a sensação de que “aquilo que deveria ter sido, não foi. E o que pode ser, nao será”. Não sofreríamos por algo irremediável, seria possível corrigir qualquer erro cometido. Cada dor que te fosse causada, seria fácil curar. Bastaria morrer e renascer para uma nova vida, para um começo. Começo, não seria recomeço, sempre tudo novo! O velho que sempre seria novo…
Um dia, há alguns anos, me veio uma frase tipo filosófica em mente e isso passou a fazer algum sentido. Talvez tenha sido um presente divino depois de tantas súplicas por um caminho para o “FELIZES PARA SEMPRE” dos filmes da Disney. O pensamento estava certo e só agora eu entendi como atingí-lo.
“A imortalidade só é alcançada por aqueles que são capazes de escrever a sua própria história”.
Hoje, além de temer por meus pais, receio por você, querido. Preciso mais do que nunca ser imortal. Não para mim, mas para você! Para seus filhos e seus netos... Quando digo que este blog é o melhor presente que eu poderia te dar é exatamente neste sentido. A eternidade. Não apenas a minha, mas a sua e a de seu pai. A de seus avós, dos amigos de sua mãe, da sua família.
Ah! Uma coisa mais que não mencionei. No filme, os incansáveis guerreiros procuram a fonte da vida e o segredo da imortalidade. Depois de lutas seculares e massacrantes, Duncan Mcleod, por mérito, foi o escolhido para conhecer a verdade. Sabe qual foi a revelação inesperada? Um filho…

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A Espanhola


De frente para o meu quarto tem um quadro que já acompanhou a minha família em todas as residências que tivemos, por todos esses anos. A Espanhola…
A pintura é feita em cima de um espelho retangular e a dançarina está em postura de quem vai atrair todas as atenções, com um vestido comprido de alças e decote nas costas, preto, com as saias rodadas e rosadas, de vários babados. Uma sapatilha com enorme salto, o cabelo preto e preso num coque, e ela está numa sala que possui uma mandala verde e amarela por trás de uma parede de tijolos e uma porta em formato de arco. Para completar o cenário, há um vaso verde com detalhes dourados numa faixa preta, quase ao meio do objeto.
Desde pequena eu me via naquela espanhola, sentia uma conexão inexplicável com a obra. Sempre gostei de dançar, mesmo antes de saber andar. Ensaiava saltos descompassados, cantava músicas desordenadas e tinha a certeza de que era uma estrela! Lembro-me bem das festas em que participava de gincanas e sempre ganhava a medalha de ouro… hehehe! Ninguém conta a história da Emilia Iguatemi melhor do que a minha mãe, mas esse conto fica para um outro dia…
Eu tinha a certeza de que seria famosa, conhecida por qualquer pessoa e querida, muito querida. Como uma boa baiana, estava convicta de que seria cantora de Trio Elétrico, tão famosa quanto a Marcia Freire da época e a Ivete de atualmente. Queria muito viver da música, da dança, da fama… Não sei onde me perdi, filho! Há quem diga que eu tinha talento.
Eu sempre olho para esse quadro, enfim, e penso no quanto eu gostava de dançar. Me sinto tão livre! Nao necessito de aulas, simplesmente fecho os olhos, respiro fundo e deixo a melodia invadir o meu corpo. O ritmo cuida do resto, não preciso me preocupar com passos, como se a música tomasse conta das minhas veias, como se as cifras se transformassem no ar que penetra nos meus pulmões.
Ah, quando me recordo das muitas noites da Heaven! Londres já foi cenário de inúmeras memórias, mas as noites de segunda-feira foram ímpares! Eu só precisava dos meus óculos escuros, de dois bastões luminosos e pronto! A música alta tomava conta de tudo, nada mais passava na minha mente além de passos inéditos. Acho que a Ana Paula, o Miguelão, Miguelito e a Elaine, além de outros muitos amigos, podem descrever essas cenas melhor do que eu. Como era bom, nossa! Eu me sentia uma pessoa importante naqueles momentos, rodeada da melhor platéia, os meus queridos amigos. Eu sentia a leveza, a beleza, a alegria de estar no lugar certo com as pessoas certas. Se não fosse você, filho, eu trocaria meus dias atuais por aquelas noites em Londres, sem pensar duas vezes! Eu fui muito feliz…
Hoje penso como será bom dançar com você. Para você e por você. Outro dia estava conversando com o seu pai no msn (não imagina como é estranho ter esse contato virtual com o homem que compartilhou comigo a sua existência, filho) e estávamos falando sobre meus desejos futuros. Ele me pediu para citar um deles e eu disse que sonhava com o dia em que estaremos os três dançando, abraçados e felizes. Ele ficou mudo por um momento e disse: “Yeah, it would be nice…”
Seria sim, seria maravilhoso!
Será… Não importa a quantidade de bailarinos no nosso salão, será sempre um espetáculo!
Vamos acompanhar os passos da espanhola, a bela dançarina do quadro que presenciou toda a minha infância e juventude. A linda mulher do vestido rodado que me inspirou a ousar ritmos, lugares, idéias e experiências jamais vividas. A Espanhola, minha personagem principal, numa cena que, por mais simples e congelada num espelho retangular, me levou a delírios da Heaven e, por fim, a você…

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O príncipe de pés enormes

Aconteceu uma festa dentro de mim hoje! Um vira e mexe, muitas sacudidas e pontadas, toda a minha barriga parecia estar se contorcendo. Sem dor, apenas a sensação de que algo estava brincando de cambalhotas dentro de mim. Era você, filho. Você não pára! Deve estar procurando a melhor posição, um jeito confortável de permanecer no calor do meu útero.
Como é gostoso te sentir! É o momento em que tenho a certeza de que tudo isso não é sonho, de que meu pequeno realmente existe. Até agora, entrando no sétimo mês de gestação, posso dizer que estou tendo a gravidez perfeita. Você é um bebê muito bonzinho, nunca me fez sentir enjôos, desejos, dores, nada! Só falta o seu pai... Sinto muito ele não estar aqui agora, para senti-lo, para conversar com você. Para que você pudesse ouvi-lo e sentir-se protegido por seus braços ao ser envolvido ainda na minha barriga, da mesma maneira que eu me sentia quando estávamos juntos em Londres. Nossa! Era a melhor sensação do mundo, fantástico! Eu sinto muito que as coisas sejam dessa maneira. Queria que você tivesse uma história diferente, mas ao mesmo tempo comum. Você merecia isso…
Você merece tudo, filho! É um vitorioso, lutou para existir até quando eu mesma não tinha ainda realizado o quanto era importante. É um guerreiro, um príncipe! Um príncipe… As minhas amigas o chamam assim, Tammy e Sangela. Elas dizem sempre que você é muito especial. Você é mesmo muito especial, e farei de tudo na vida para dar-te o melhor, até o impossível!
Posso imaginar a farra que faremos juntos. Vou te jogar na minha cama, morder seu bumbum gordo e branquinho, fazer você rir com cócegas por todo o seu corpo! Dar beijos e beijos na sua orelinha, no seu rosto rosado e perfeito, na sua mãozinha, nos seus pés! Posso já ver na ultra, tem pés enormes!!! Assim como os do seu pai, eu adorava os pés dele, os seus serão iguais! Acho que vocês serão muito parecidos…
Não sabemos do futuro, Anachin, mas o presente é o que importa realmente. Somos nós dois agora, eu e você, e desejo ser a melhor mãe do mundo! Desculpa se às vezes desanimo, desculpa quando choro de desespero e medo… Eu te peço desculpas o tempo inteiro, porque sei que você sente a minha aflição. Eu não imaginava que as coisas fossem ser tão difíceis assim. Mas prometo que tentarei superar toda a minha angústia, e vou me esforçar para ser a melhor mãe que poderia ter! Nós vamos vencer, prometo!
O príncipe, o meu lindo príncipe de enormes pés… Eu preciso sempre te dizer que você é a única razão que tenho para continuar. Não consigo mais esperar para poder sorrir e olhar nos seus olhos. Não consigo mais esperar para ser reconhecida com seus abraços e afagos como A MAMÃE, a sua mãe…

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Mas é claro que o Sol vai voltar amanhã...

Hoje não acordei muito bem, filho. No momento que abri os meus olhos pensei em toda a situação que nós dois estamos passando em silêncio, e isso me deixou completamente desanimada. Voltei a dormir e só me levantei após o meio-dia. Senti um calor enorme por toda a tarde, uma dificuldade em respirar o ar puro de onde moro… Pensando bem, será que é tão puro assim mesmo? Será que o mundo ainda possui algum lugar imune a todas as desgraças que vêm acontecendo? Acho que nossos organismos já estão massacrados, tramautizados com tantas notícias bizarras, com tanta maldade que está tomando conta da mente humana…
Essas questões me deixaram completamente irritada e então resolvi subir até o centro comunitário do condomínio, de onde pode-se admirar o horizonte mais belo, com um mar azul e extenso, coqueiros de ponta a ponta e o céu mais límpido que se consegue avistar. Precisava ver e pensar em algo belo, para conseguir retomar a coragem que tive no momento que decidi tê-lo, Anachin.
Mais tarde, como de costume, liguei a Tv e assisti o noticiário. Meu ânimo sumiu completamente, mais uma vez… Em menos de 30 minutos me senti um nada! Talvez um dia você entenda, na verdade espero que não. Já sentiu-se fora das dimensões do mundo? Assim que estou me sentindo, atualmente…
Mais de 550 pessoas mortas na guerra entre Israel e Faixa de Gaza. O governo Israelita rejeita os pedidos mundiais para o cessar fogo. 11 municipios do litoral sul catarinense decretaram situação de emergência por causa das inundações. Muitas famílias perderam tudo que tinham, inclusive parentes e amigos. Aumentou o número de mortes nas estradas federais, nas festas de final de ano. Mais de 7 mil acidentes e a maioria ocorreu por imprudência, desrespeito à Lei Seca. Tudo isso apenas no jornal de hoje!
Voltei a pensar na tarde agradável que tive no centro comunitário, na música que me veio à cabeça no momento em que esqueci dos problemas. Uma melodia linda, que dedico a ti agora, filho…
Talvez essa canção seja o consolo de muita gente hoje, após a perda de bens e familiares, ou para as pessoas presas no meio daquela guerra do Oriente Médio, até mesmo para os parentes das vítimas da imprudência.
Essa é a mensagem que desejo deixar para você, filho.
Hoje, Renata Russo se tornou o profeta do Amanhã…

"Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança"

domingo, 4 de janeiro de 2009

A exóterica

Uma vez, acredito que eu tinha 16 ou 17 anos, minha madrinha me levou a uma exotérica. Eu não tinha nada específico para perguntar, mas mesmo assim fui pela farra. Ela trabalhava no próprio apartamento, numa sala totalmente preparada para receber os seus clientes. Lembro-me bem de uma mesa redonda, pequena, apenas para duas pessoas. Pedras coloridas e variadas abaixo da mesa, para que eu pusesse os meus pés, descalça. Uma toalha trabalhada sobre a mesa, onde ela jogava outras pedras.
Eu sentei muda, esperando todo o ritual começar. Ela era jovem, confesso que não aparentava uma mulher vidente, dotada de poderes paranormais ou algo parecido. Mas para mim foi como um oráculo…
Ela disse muitas coisas sobre a minha vida, passada e futura, mas algumas delas foram tão impressionantes que decidi escrever sobre isso aqui, hoje. Após examinar a linha da vida na minha mão direita, a exotérica me disse que eu tinha a linha profissional muito bem definida, ou seja, que eu procuro sempre o perfeccionismo em tudo que faço, não apenas profissionalmente mas na vida pessoal também. Na maioria das minhas encarnações (essa para quem acredita em espiritismo e vidas passadas), eu vim como homem e fui o maior cafajeste que uma mulher poderia conhecer. Machuquei, enganei, traí, e hoje muitos dos homens que passam por essa minha vida feminina foram algumas das moças iludidas por mim naquele tempo, como uma espécie de carma. Além disso, por eu ter sido muitos homens, perdi a minha sensibilidade e me comprometi a resgatá-la dessa vez. Para isso, seria fiel ao homem que estivesse ao meu lado e criaria duas crianças, mesmo que essas não fossem filhos legítimos meus. Eu ainda iria sair do país, morar fora por um tempo e conhecer uma pessoa especial. Essa pessoa seria “o homem da minha vida”, provavelmente o pai dos meus filhos, e eu jamais o abandonaria. Se algo não desse certo, seria por decisão dele, não minha.
De fato não sou a mulher mais feminina que conheço, pelo contrário. Estou mesmo bem longe disso… E confesso que, quando criança, era muito pior! Hoje, aos 27 anos, estou evoluindo a cada dia mais, me sentindo mais, com uma sensibilidade mais aguçada para a vida, para os sentimentos e até para a razão. Eu sai do país, morei em Londres por quase dois anos e conheci realmente uma pessoa especial, que eu amo demais, o pai do Anachin, desse filho que estou esperando. E se hoje não estamos juntos é por decisão dele…
O mais engraçado de tudo é que, antes mesmo de ouvir as premonições dessa exotérica, eu já imaginava tudo isso. Eu sempre quis morar fora, sempre quis conhecer uma pessoa que não pertencesse ao mesmo mundo que eu e que ele fosse O CARA. Sempre quis ter dois filhos, um casal. Sempre quis curtir uma vida inteira de farras e paqueras para que, um dia, fosse extremamente fiel a esse homem especial.
Ela ainda me disse muitas coisas que prefiro não comentar aqui, mas asseguro que todas as profecias se realizaram. O meu interesse por exoterismo surgiu da alma, desde que nasci, mas confesso que a partir do momento que a conheci a curiosidade se tornou uma religião. Hoje o meu filho, naquela época ainda uma possibilidade, está se tornando realidade a cada dia mais. A barriga está crescendo e ele se mexendo, sentindo o meu corpo e eu o dele. Uma conexão incrível que ultrapassa as barreiras do entendimento e filosofia. Ser mãe, querido, ser sua mãe, é a coisa mais surpreendente que poderia acontecer na minha vida!
Gostaria de reencontrar essa mulher, para sentar-me novamente à sua mesa e ouvir idéias sobre o seu futuro, Anachin. Para escutar que tudo dará certo, de que seremos muito felizes e unidos. Eu e você, você e eu e nós dois… Embora eu saiba, desde o momento que tive conhecimento da gravidez, de que isso está além de premonições. É um fato!
Será sempre muito bom, seria melhor ainda se fôssemos “os três”, e após algum tempo “os quatro”…

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O aniversário de Gigi

Estou sentada neste exato momento na varanda da casa, admirando a movimentação do quiosque. Minha família, amigos e vizinhos (vizinhos nao menos amigos) se divertem, dançam, bebem (MUITO!), conversam… Melhor, falam bobagens! Hehehe! Nada melhor do que as bobagens para esse tipo de ocasião…Hoje é a celebração dos dois anos de Gigi, a minha sobrinha. Na verdade, mesmo que não fosse nenhum aniversário, casamento, formatura ou algo do gênero, a festa estaria acontecendo. Sempre acontece! Nesse momento o som toca músicas de discoteca dos anos da brilhantina, depois de uma seleção de forró, pagode, Timbalada, Chiclete, Ivete e outros. As crianças almoçam (preciso dizer que são cinco e meia da tarde) e os adultos já beberam mais de dois engradados de skol, além de vodka, whisky e cachaça. Ainda há dois engradados esperando no enorme isopor e uma panela de feijão na cozinha…Minha tia Nicia, a vizinha, já me disse que sou A VELHA por não dançar, hehehe! Mal ela sabe que estou aqui sentada apenas obrservando, escrevendo sobre todos…Livia, tia por direito, irmã da minha mãe, já fez brigadeiros e agora está bebendo, dançando e esperando o marido chegar do trabalho. Batista é um catarinense que se apaixonou por ela e se entregou à Bahia há 15 anos atrás. Hoje pode-se dizer que é tão baiano quanto eu ou mais! A filha deles, Laise, está com 11 anos e no momento brinca com Gigi, ela adora!Ju, da mesma idade que Lai, filha do outro irmão da minha mãe, Beto, está sentada ao meu lado lendo Poderosa 2, super compenetrada! Lana, a minha cachorrinha poodle, está nos guardando. Ô, cãozinho feroz!Minha mãe, muito tímida, se esforça para dançar e para isso tem um jeito todo particular. Muito engraçado, eu não canso de admirar! Ela comprime o nariz, aperta os olhos, prende um único sorriso no rosto por todo o momento e se movimenta com pulinhos e braçadas rápidas, parecendo uma criança. Eu estava até comentando com Livia mais cedo sobre o quanto ela se esforça para estar ali no meio, por causa da timidez. Meu pai, com o copinho de whisky numa mão e o cigarro na outra, bem diferente da minha mãe e nada tímido, se joga no meio da roda e vai até o chão, como se estivesse no embalo dos Beatles. Gigi nesse momento já está lá no meio também, gritando “eu tô doida! Eu tô doida!” Hehehe!Minhas tias Leninha e Waldecy estão cochichando algo e rindo muito no meio do salão. Eu acho que até posso imaginar o que conversam… Minha irmã Carolina, como sempre, está com o celular no ouvido no meio do campo de futebol, provavelmente falando algum “babado” com a amiga.Meu irmão Rodrigo está na parte que ele provavelmente considera a melhor do quiosque: onde está o isopor! Ele não se move de lá há horas! Está operando o som e conversando com Pinheiro, Marcio e Leo.Minha tia Zilma não bebe mas está no bolo, participando de todas as loucuras. Ou melhor, comentendo a maioria delas. A sua filha, Thay, está brincando com Duda, a pequena de Lucy. Essa também dança no quiosque com o marido Emanuel, um lunático de dois umbigos, ahahaha! Ele já perdeu três psicotestes do Detran e está se preparando para fazer o quarto. Pensando melhor, acho que Lucy é a verdadeira lunática! Caê, o irmão dela, aparenta ser a pessoa mais normal aqui hoje. Tiago, o meu primo, um doce! Esse, tadinho, ainda não conseguiu se desprender da camisa de Reveillon, acho que criou uma paixão alucinante por ela… Está rodando a pobrezinha como se fosse um laço de peão! Meu tio Codu no momento nao percebo, mas já ouvi a Tv ligada dentro de casa, tenho certeza de que está vendo novela… Meu tio Paulo, cadê? Ah! Acabo de enxergá-lo sentado pertinho de Rodrigo, também com a camisa do Reveillon no pescoço. (Agora entendo que essa paixão desenfreada por camisas brancas é de família. Ele é o pai de Tiago…)Já são seis e meia da noite… Eu continuo aqui sentada observando e escrevendo… Zeca Pagodinho já dominou o ambiente com “Jura”. Esse é o segundo aniversário da Gigi, imagina! Pronto! A festa esta completa! Batista chegou!!! Veio do trabalho mas já apareceu de bermuda e chinelo… E mais! Trouxe Saionara, a mãe da Ju! Minha companheira de bronze.Pena que Jadir e Adaci já partiram… Mas isso não impede que eu comente que é um casal de tios super hiper maravilloso! Parte fundamental nesse quadro. Nossa! Quem vejo ali descendo o caminho? Vieira! Um grande amigo dos meus pais. Ele e a família estavam morando em Porto Alegre, mas agora estão se preparando para voltar a Salvador. Adoraria que Denise e João tivessem vindo com ele hoje…Filho, acho que deu para ter uma idéia da situação, né? Um dia será o seu aniversário que estará sendo comemorado dessa maneira! Hoje o seu avô sentou-se ao meu lado e disse: “ele vai me amar muito, viu! Será um grande amigo, pode crer!” Eu não tenho a menor dúvida disso! Tenho absoluta certeza de que você amará a todos, assim como a Gigi. Ela se sente tão confortável no meio deles, muito mais do que eu mesma! Você também se sentirá…Anachin, meu filhote mais que amado e desejado, eu não podia antes realizar o quão importante você seria na minha vida. Não há nada que eu faça hoje que não seja pensando em meu bebê, antes mesmo de pensar em mim. Anular ou apenas adiar alguns planos por você é um sacrifício que vale à pena demais! Agora mesmo você está mexendo, me fazendo sentir sensações indescritíveis, me fazendo sorrir e até mesmo imaginar momentos que, daqui há alguns anos, com certeza não serão apenas planos… TE AMO!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O mar dos mistérios

Os fogos iluminaram todo o céu. Luzes de todas as cores fizeram desenhos inéditos no escuro que predominava naquele momento. Eu permaneci no deck de casa, admirando o festival pirotécnico, o tempo suficiente para imaginar toda a sua trajetória, filho. Minutos que se tornaram uma vida…
Decidi passar o Reveillon em casa, de vestido branco e descalça, para ter o máximo de contato com a terra e poder absorver da natureza a força que precisarei para enfrentar o ano de 2009. A festa foi como prevista: família, som alto até amanhecer, alegria e cumplicidade dominando do início ao fim. Decidi esperar o dia surgir para poder te mostrar o quão linda é a vida apontando no horizonte. O seu primeiro nascer-do-sol, Anachin! Eu adoro asistir esse fenômeno, me sinto renovada, renascida e com energias dobradas. Costumava sair às noites e ficar sempre acordada até esse momento, só para poder ter o rosto aquecido com as leves flechas de luz e, após isso, dormir no meu quarto totalmente iluminado e silencioso ate o meio-dia. Nada melhor!
Hoje fomos à praia. Somente eu e você. Como tradição, o primeiro dia do ano pede um banho de mar para espantar as energias negativas e abrir espaço para os bons fluidos. Eu já tinha comentado isso com você antes, o mar esconde os maiores mistérios do mundo e é capaz de neutralizar o peso da vida. É preciso amá-lo e respeitá-lo, sempre! Você pode confessar os seus segredos a ele e pedir proteção para seu caminho. Acredite, se for um pedido sincero, o mar não deixará de te ouvir e atender.
Quando estavámos na água, cinco crianças se aproximaram e me indagaram se eu estava grávida, eu respondi que sim. Então, curiosas, me fizeram uma série de perguntas sobre você. Em seguida ficaram comentando entre si, até que se despediram quando resolvi sair. Achei a cena muito engraçada! Penso que nunca me senti tão bem em toda a gravidez! Adorei ser percebida, ter a aproximação de crianças que eu não conhecia antes. Ser rodeada por elas e sentir a empolgação com a chegada de um “novo neném”, como diziam, so me deu forças para completar o ritual do primeiro banho do ano. Pedi muita paz, sorte e saúde para você em toda a sua vida. Pedi por tranquilidade na sua vinda e proteção da natureza em todos os seus caminhos.
Logo, em menos de 3 meses, será o nosso grande encontro. Em menos de 3 meses você estará nos meus bracos, sentirá o calor do meu corpo e me reconhecerá como seu porto seguro. Meu bebê nao tem a menor noção da quantidade de pessoas que está aqui esperando ansiosamente por sua chegada! Nossa família e amigos comentam de você todo o tempo, tentam imaginar como será o pequeno que vai mudar totalmente a minha vida, da maneira mais intensa e mágica! Fazem planos divertidos para quando estiver maior e puder se juntar a eles.
No próximo Reveillon você estará conosco, comemorando mais um novo ano, celebrando a bênção da vida e se banhando no mar dos mistérios, só que dessa vez não mais dentro de mim, mas nos meus braços…
Feliz Ano Novo, filho!